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Porque no Couto Misto, uma terra bem galega, não aparece nenhum documento de nenhum tipo escrito em galego?

aberta 1 respostas 333 vistas Historia
Luis Garcia Mañá
Couto Mixto, Unha República Esquecida  Ed. xerais ano 2000

O autor de essa história do Couto Mist, pergunta-se no livro

Sendo o Couto Misto uma terra bem galega, não há nela nenhum documento escrito em galego. A documentação está em português e em castelhano, este último corresponde a documentos produzida fora, mas recebida e com efeitos na Terra dos Mistos. Pois de todo o que podia se dizer, que tem uma relação mais íntima com as pessoas, e o gerado acolá, está em português.

Para ele, isso resulta um absurdo incompreensível,  pergunta-se porque se pode ter dado esse absurdo. Que para ele, insisto diz no livro é incompreensível, e não acha explicação

Helena

Penso que a pergunta tinha que poder ser classificada num apartado LÍNGUA, ao que lhe faria as seguintes sub-classificações: Imposição do castelhano, Direitos linguísticos, e Sociolinguística. Está questão deveria ir em sociolinguística.

Não estaria mal, com o de imposição do castelhano, mais que perguntas pôr aí uma um gavetão no que se podam ir metendo noticias de esse tipo no estado espanhol

1 Resposta

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aclaração a) 

Para dar-se a língua da Galiza escrita a moda castelhana, tem que haver antes um banimento de formação na língua própria e a imposição do castelhano. O galego com ortografia castelhana só é assim inteligível. Se a Galiza não houvesse sido submetida e alfabetizada no castelhano, nem no seu pior pesadelo ia escrever do jeito que é moda regional. 

Colo conhecido parágrafo do professor Fernando Corredoira pelo bem que o esclarece:

"Em meados do século XIX renasce para a literatura uma língua socialmente estigmatizada, funcionalmente minorizada, banida das instituições oficiais e hostilizada pelo Estado. Popular e realmente falada, a língua galega começará a ser posta ao serviço dum movimento cultural e político que irá perfilando uma vocação que (com cautela, porém) poderíamos chamar nacional. Desde inícios do século XX, contra tudo e apesar de tudo, sectores da comunidade linguística galega transgredirão normas imemoriais, abrirão brechas em altos muros e sondarão novos caminhos, passando a fazerem servir o galego como instrumento do discurso público e da acção política. Três décadas animosas e febris, férteis, protagonizadas por uma geração, a do nosso Autor, que o levantamento militar de 18 de Julho de 1936 e a alongada repressão subsequente deceparam com feroz eficácia.  

Como previsível, o recurso ao modelo ortográfico castelhano foi inevitável. O ágrafo galego passou a escrever-se conforme a feição gráfica da língua oficial e única língua verdadeira – tal como ortografada desde finais do século XVIII. Este modelo tinha no mínimo duas vantagens invencíveis: era tecnicamente prestadio e era o único conhecido, o único aliás que podia conhecer-se. De maneira que não havia necessidade de irmos procurar alhures o que já acháramos aqui, nem de se inventar o que já estava inventado. Acresça-se, em ordem a perceber as intenções do programa linguístico dos primeiros promotores da língua regional, que, entre estas, de nenhum modo se encontrava a de concorrer com a língua nacional, cuja hegemonia estava fora de causa. Correlato visual da minorização linguística, a ortografia perfilhada servia ainda para ratificar que as notabilidades escreventes dogalego eram e queriam ser um subconjunto regional do conjunto espanhol. Houve, sim, e desde cedo, quem propusesse adoptar a ortografia portuguesa. A sugestão não prosperou e talvez a frondosa exuberância de letras ociosas que exibia na altura a orthographia lusitana tenha contribuído para tanto. Seja como for, haverá que completar a panorâmica ortográfica, recordando que, em paralelo à medrança da influência social e política do movimento nacional galego, a questão da ortografia tornará a ser objecto de debate nas três primeiras décadas do século passado. Jovens inquietos anunciavam novos rumos, que a desfeita de 36 debelou".            

 

No Couto Misto as poucas pessoas que se formavam apreendiam segundo o modelo de Portugal, no âmbito da justiça eram, ainda que independentes, dependentes numas poucas questões dos juízes de Montalegre. É dizer essa pergunta só faz sentido para quem viver no universo de Castela/espanha e a Galiza submetida.

 

aclaração b) 

É exprimida por um militar português, num estudo sobre a questão, no que manifesta que a espanha se apropriou, ao suprimir o Couto Misto, de um território que desde todos os pontos de vita era Portugal, e que além disso forma unidade com a comarca de Barroso.

 

For uma ou outra a razão, a questão é, que não foram alfabetizados no castelhano, único jeito de escrever "a galega". 

Se é uma galeguíssima zona em palavras de Luis Garcia Manhã, o que para ele quer dizer espanholíssima, pois galeguíssima e uma condição de se ser espanhol (pois se não forem espanhois seriam portugueses e já não poderiam usufruir essa galeguidade, no seu pensamento), Nesse território não se comportavam como tais ao não usarem a ortografia "nacional" do castelhano.

Isto demonstra que o que arreda galegos e portugueses, é castela/espanha (a que uns estão submetidos) e não a sua condição natural

respondida por Ranhadoiro 7 de xuñ, 2015
1comentarios
comentado por Ranhadoiro 12 de xuñ, 2015
Há algo a acrecer a isso apontado anteriormente, que acho de muito interesse:
O Couto Misto desde o ponto de vista religioso dependia da diocese de Ourense, como também as freguesias limítrofes, atualmente de Portugal como Tourei (Tourem)* e Pitões das Júnias (o velho mosteiro desta localidade era de Useira*, mas ainda tendo alguns padres nelas, de nação castelhana, como apontam as fontes históricas, não foi isso bastante para fazer nascer o galego (o português da Gz segundo farda castelhana), o qual aponta ao papel decisivo que para isso teve a imposição política do estado.

* Luis Garcia Manhã, não reivindica a galeguidade de Tourei ou de qualquer outra localidadeque, se ficar além da raia inter-estatal do estado. Galeguidade é condição que só se pode ter sendo "espanhol".

* Foram muitas as localidades portuguesas ao longo de toda a raia, que quase até fins do século XIX seguiam pertencendo a dioceses com a sede eclesiástica dentro do estado "espanhol", (por exemplo quase todo o distrito atual de Viana do Castelo que era Tui) sem que nelas aparecera o galego, cousa que sim apareceu em localidades portuguesas ocupadas por Castela/espanha como Olivença, é dizer escrever mais ou menos a sua língua com a farda que aliás era a única que podia conhecer-se, a castelhana.
Hospedado na nube de

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